Through the depths of hell

I'm as poisoned as honey.

Quem sabia o que ia acontecer? Se ia? Como? Aonde? Quando?
A gente não tinha nada a ver. Meu querido, essa realidade só é bonita escrita em algum lugar. Mas juntos, eramos essa mistura nada-a-ver que formava uma coisa que ia além das explicações e que só pudemos até agora, sentir. E a gente sentiu pra caramba.
A gente esqueceu. Se encontrou. E reinventou. Criou. Pintou o quadro.
Meu novo conto era dormir nos seus braços. Meu novo hobbie, não tirar meu corpo do seu. Minha nova música, sua voz me chamando. Meu novo foco, o tom da sua respiração.
Já fechei os olhos. Já deixei olhar no fundo deles. Te dei mãos. Te dei meu tempo. Te dei perguntas. Será que você sabe o que isso quer dizer…?
IMS

Pessoas iguais demais não dão certo. Pessoas com opniões diferentes também não. Na verdade, sou eu que não fico por muito tempo perto de ninguém.
O que adiantava reclamar dos remendos de feiúras das pessoas que eu conhecia? Pelo menos nelas haveria maior possibilidade de algo bonito. Quem era você pra dizer algo quando vivia namorando meninas burras e tão patéticas… Quem era você pra qualquer porcaria, você é qualquer porcaria.
O que adianta ser tão inteligente quando se coloca isso acima de tudo, e se auto coloca acima do mundo. Mas agora eu sei porque você gosta de usar o cérebro, porque seu coração é podre e fede mais que merda de bebê. Talvez seja por isso que você gostava de mim, atrás de tantas portas você chegou a conhecer a pessoa mais capaz de amar no mundo.
Não quero ver sua cara.
Não vai olhar nos meus olhos outra vez. Eu vou esmagar qualquer sentimento meu que ainda te envolva porque eu simplesmente não me importo mais.
IMS

O cheiro me levava até o alimento. Não andava, flutuava. Enquanto saía pelo portão à fora, na verdade entrava pra dentro.
Bem, não fui orientada à segurança, então escolhi descaradamente, (e só eu sabia como), um dos lugares do fundo da caixa de lembranças mais tenebrosos. Eu fiz a proeza de enfiar os dedos no machucado que ainda não era “vinho” - cor de cicatriz. Era vermelho como o inferno de sangue. Mais vermelho que o ambiente só o que havia dentro de nós, lutando pra escapar das veias.
Nós, de olhos negros protegidos por infra-reds.
Eu mergulhando exatamente no que procurava, sem ao menos perceber. Eu começava a ter vontade de me redescubrir. E eu não jogo tudo no lixo. Por mim, o único lixo que você conheceria dali pra frente era o meu e o seu.
Me segure mais vezes como um bebê porque agora eu quero ser cuidada por você. Dá raiva de como tudo que você faz de errado, pra mim dá certo. Eu tô que se dane o futuro porque você pediu pra eu ficar contigo o resto da noite e eu preciso de um lugar pra ficar.
IMS

Já esqueci de muita coisa. Outras, nem cheguei a armazenar. Mas a cada viagem dessa, troco um pedaço do meu coração por um tijolo. Este é o nono, e me faz duvidar se quero esse orgão remendado. O mesmo que me consola, me afringe: tudo tem seu lado bom. E não importa quantas vezes, dói partir. E me faz lembrar das outras vezes, e de tudo que há de ruim nesse mundo, e eu me encontro amarrada ao meio-dia num quarto fechado que é tudo, menos silêncio. Aqui não tem pássaros que cantam às 9 da manhã no telhado da sacada, e são 9 da manhã eu não me encontro mais na sacada também. Aqui não tem praia sem areia. Aqui não tem quilômetros de pedras ligadas por teias de aranhas. Nem crianças que são chingadas por andarem de bicicleta sem capacete. Aqui não tem campo de futebol vazio, nem bares. Mas eu vou poder ver o pôr-do-sol todo dia.

IMS

Seus olhos foram grandes e fundos. Pálpebras enormes que comiam suas bolas castanhas. Mãos gostosas de me segurar não refleteriam à quem não soubesse ver como eram calejadas e sujas por dentro. A gente tinha em comum. Seu sorriso, do tipo momentâneo, se aproveitava de cada pedaço de felicidade que eu pudesse oferecer. Por dentro, me mantia constante em minha dureza. E você assim por fora. Por fora, eu tremia. E você assim por dentro. As palavras sumiram para ambos, mas o silêncio te incomodava mais. Eu, na verdade, gostava bastante de ficar alí fazendo o tipo de cara que sabia que você gostaria, finjindo muito bem não estar vendo cada movimento seu. Devo ter facilmente gostado mais. Eu já sabia o que ia e o que não ia acontecer. Meu subconsciente é bastante exato. Mas também posso me encantar com coisas invisíveis ao olho nu de tão insignificantes. Eu adorava e aproveitava como você estava dando o seu melhor e como acreditava que eu valia a pena. A sensação de ser uma novidade boa pra alguém que já viu de tudo, como eu. Eu sabia que ia terminar, o interessante é que dessa vez eu não via como nem quando.
IMS

O lado esquerdo encaixava no direito justamente porque eram totalmente diferentes. O que lhe fazia chorar era exatamente o que transformava essas lágrimas em cacos. Transformação, hahaha. Ta aí uma coisa que sabia muito bem, bem demais. Não esse lado, é claro, ele simplesmente não sabe se importar. E ao mesmo tempo a dor e a solidão eram sua maior diversão. Um parque de diversões, aonde o ”elevador”, a  ”montanha russa” e a ”roda gigante” das sensações e dos humores se mudavam constantemente. Há até boatos que algumas pessoas, seduzidas por aventuras e loucuras, chegaram a entrar nestes brinquedos  e só sairam quando foram de lá de cima jogados, é verdade. E com toda a modernidade, os altos e baixos eram filmados e fotografados, lembranças  carimbadas para sempre até seu fim, outro troféu que muitos gostariam de pegar mas que somente à pessoa pertencia.

O lado existia, com certeza, e era constante, com certeza. Mas e o outro, quando aparecia? Este somia, este cobria. E lhe fazia sentir humanidade e o enjôo dela, os sentimentos e humores eram como os carrinhos da formula 1, tinham toda a sua velocidade e percorriam curvas perigosas e surpreendentes, porem nunca se sobia e nem se descia, e essa rotina lhe cansava e lhe fazia disfarçar o ódio com o amor. Toda essa regularidade fora posta alí, mas não tinha sido feita pra mim.

Swallow my tears, I tap the veins.

A pior parte de um texto pra mim é o título, eu sou péssima em auto-resumo, auto-explicações e no auto-conhecimento. É difícil demais opinar sobre algo que você raramente conhece ou entende. Eu sou um monte de pedaçinhos soltos por aí, tem dia que vejo um, enquanto isso me esqueço de outro, e então, talvez, eu redescubra o mesmo.
Pode olhar o que quiser em mim, mas nos meus olhos estão a resposta, está escrito lá a frase que já levou quem olhou aos céus, ao inferno e finalmente ao seu destino..
Vendo pelo meu retrovisor trincado pelo seu martelo, a lágrima ainda cai, enquanto eu existir. Eu quis assim, eu me acorrentei àquele quarto, àquelas cortinas, às árvores, ao gelo, ao seus desprezos, à minha falência e insignificância. E se quiser me julgar mal? Ah, eu nunca escapo disso, e sabe, muito menos tento. Há certa dificuldade de entendendimento que jamais sou apenas o ruim ou somente o bom. Eu não sou um quadro, eu sou um quebra-cabeça infinito. Eu mesma que me monto, me desfaço e me esqueço.
IMS

A pior parte de um texto pra mim é o título, eu sou péssima em auto-resumo, auto-explicações e no auto-conhecimento. É difícil demais opinar sobre algo que você raramente conhece ou entende. Eu sou um monte de pedaçinhos soltos por aí, tem dia que vejo um, enquanto isso me esqueço de outro, e então, talvez, eu redescubra o mesmo.

Pode olhar o que quiser em mim, mas nos meus olhos estão a resposta, está escrito lá a frase que já levou quem olhou aos céus, ao inferno e finalmente ao seu destino..

Vendo pelo meu retrovisor trincado pelo seu martelo, a lágrima ainda cai, enquanto eu existir. Eu quis assim, eu me acorrentei àquele quarto, àquelas cortinas, às árvores, ao gelo, ao seus desprezos, à minha falência e insignificância. E se quiser me julgar mal? Ah, eu nunca escapo disso, e sabe, muito menos tento. Há certa dificuldade de entendendimento que jamais sou apenas o ruim ou somente o bom. Eu não sou um quadro, eu sou um quebra-cabeça infinito. Eu mesma que me monto, me desfaço e me esqueço.

IMS

Só por um pouco não quero generalizar. Eu quero ser o centro das atenções agora. 
Carrego veias tão gigantescas e meu sangue pesa tanto… Eu ainda me lembro quando era apenas osso. Me sinto frágil, tendo uma elasticidade maior do que gostaria - o que me assusta. Nessa viagem, estou apenas revivendo algo que há muito já tinha sido, ignorando o fato de já ter antes, uma vez, deixado isso pra trás. É difícil ser tocada porque as mesmas mãos que te acariciam a cabeça e te fazem sentir talvez um dos seus desejos mais cobiçados - a impressão de proteção - também podem plantar espinhos em seu coração, tirar seus olhos e te espancar até sangrar.

Eu não posso dormir porque tenho visto olhos até onde eles não estão. Será esse o preço da comunhão? Eu não poderei nunca deixar minha mania de check-up interna e externa e minha e sua e nossa. Antes eu estava à um fio e agora eu estou apenas solta num espaço, aonde um dos meus lados favoritos é trancado à sete chaves.

Ansiedade, inquietosidade, risco, dor, tempo - tudo é agora inevitável pra mim.

Amor, eu tenho medo.

IMS